“ OS DESAFIOS DA INDISCIPLINA EM SALA DE AULA E NA ESCOLA”
O problema da indisciplina nas escolas públicas brasileiras muito tem preocupado os educadores, sendo inclusive um dos seus maiores desafios de superação. Sabe-se que muitos fatores tem contribuído para a sua ocorrência nas sala de aulas e na escola, dentre outros: a falta de melhores condições de trabalho para o professor realizar a sua atividade docente, má ou formação inadequada dos educadores, núcleo gestor trabalhando em dicotomia ao trabalho do professor, proposta pedagógica sem adequação á realidade do aluno, famílias desestruturadas, mercado de trabalho competitivo e excludente, falta de credibilidade ao trabalho do professor e aluno, uso inadequado da tecnologia,instalação do consumismo,etc. Todavia faz –se necessário ao invés de inicialmente querer descobrir o que fazer para solucionar tal situação é antes de tudo buscar investigar o porquê dela está acontecendo e aí todos juntos buscar alternativas para resolução do problema. Culpar o outro pelo o que está acontecendo também não é a melhor saída, muito menos, esperar uma fórmula pronta pois se assim tivesse não haveria obviamente o problema pois as escolas logo dariam um jeito de consegui-la. Cada um de nós educadores precisamos nos sentir parte do problema e como tal também se sentir responsável pela a estabilização do mesmo. Culpar o outro é uma maneira de dizer que eu também estou sendo falho e por isso é que devemos discutir, dialogar e ser persistente acreditando numa possibilidade de mudança. Precisamos perceber as transformações sociais ocorridas ao longo do tempo e fazer uma relação destas mudanças com o trabalho educativo que está sendo desenvolvido pela escola, para não cairmos no descaso de estarmos trabalhando no século XXI com a ideologia social dos século passado as mudanças existem e nós precisamos acompanhá-las e conviver com elas. È indispensável trabalharmos com o nosso aluno partindo da sua realidade, contextualizando-a e sobretudo refletindo com os nossos alunos as injustiças e as diferenças sociais existentes em nossa sociedade, criando espaços para debates onde estes possam expor suas opiniões. Não podemos tirar do aluno o direito de pensar, opinar , discordar e sugerir se assim o fizermos estamos contribuindo com o pensamento da elite atual e realizando a educação que eles tanto querem. As condições adversas ao nosso trabalho existem para serem superadas dialeticamente mas para isso precisamos acreditar em nossa capacidade de transformação, que somos capazes, o querer deve se sobrepor ao fazer e isto é a verdadeira a arte de ensinar. Não podemos ficar de braços cruzados, tampouco perder a esperança e o otimismo, pois se isso acontecer não nos valerá mais ser educador, busque outra forma de realização para não se frustar ou frustar os outros .Refletir sempre é a melhor saída, pois não existe violência maior do que o aluno está fazendo uma coisa sem significado para ele, fazer por fazer não dá resultado, um exemplo bem real é as altas taxas de reprovação, evasão e a falta de melhoria da aprendizagem do aluno. O professor precisa melhorar a sua qualificação profissional para saber articular os saberes em sala de aula, sobretudo, colocando em prática o que aprendeu, de nada adianta, os diplomas e certificados se não houver mudança na prática, continuar alienados executando o que nos mandam sem questionar não Irá nos ajudar buscar o sentido das coisas, isto é, da nossa missão de educador. Certamente tal atitude só irá também contribuir com o aumento da indisciplina em sala. Uma questão também muito preocupante é a forma como a escola está “concorrendo” com os meios de comunicação, em especial com o computador, pois a maioria dos nossos alunos acabam sendo “educados” por estes recursos em virtude da maioria das famílias precisarem trabalhar para garantir a sobrevivência familiar. Na verdade não deve haver esta disputa entre escola e meios de comunicação mas tê-los como aliados no processo ensino aprendizagem, planejar situações de aprendizagem com os mesmos que facilite promova a melhoria do processo ensino aprendizagem.Muitas vezes atribuímos também o problema da indisciplina ao sistema de ensino e assim acabamos por não se colocar como parte deste, tal atitude nos faz perder a competência profissional e restabelecendo à nossa prática atitudes do senso comum, de tal forma que acabamos por deixar de lado nossa postura crítica e reflexiva, nos diminuindo e nos tornando mais e mais impotente diante da situação,precisamos sim,repensar urgentemente a nossa prática pedagógica ou talvez teremos muito em breve o “sepultamento” da mesma. Uma coisa também, que não podemos esquecer é que autoridade não pode se confundi com autoritarismo, a disciplina precisa existir em sala mas não podemos tirar do aluno o direito de liberdade, não no sentido de libertinagem, mas no sentido poder criar, construir, participar ativamente das aulas e expressar suas opiniões e necessidades, evitando assim a punição ou a impunidade dos fatos. A escola é um espaço de descoberta, do fazer-se cidadão e certamente deve formar cidadãos críticos, reflexivos, atuantes, que busca o sentido das coisas e sobretudo politizados capazes de exercer com consciência e responsabilidade a sua cidadania, conhecendo os seus deveres sociais e sobretudo fazendo valer os seus direitos de cidadãos. Esta perspectiva de cidadania, se dará de fato , no momento em que a escola e professor conhecer a dimensão humana do ser cidadão. Este profissional sem dúvida tem um papel revolucionário, só precisa acreditar que possibilidades existem e que se buscadas e vivenciadas cautelosamente, fará emergir a transformação da sociedade atual, utopia? Talvez sim, mas esta também faz parte da arte de ensinar, sem esperança a realidade também não se constrói , as coisas sempre serão elas mesmas e nada mais, isto não é admissível frente a um problema social vivenciado por todos nós brasileiros, a violência, em parte fruto de uma indisciplina que cresce assustadoramente em nossas salas de aulas.Acreditar na capacidade de mudança do outro é também uma boa saída por isso precisamos investir mais na nossa prática docente e assim nos nossos alunos, que a indisciplina e os restabelecimentos de limites hoje seja vista como um problema de todos os atores sociais: escola,professor,aluno, família e sociedade...Como diz o autor Celso dos Santos Vasconcelos, o professor que ainda não entregou os pontos tem uma importante contribuição a dar, que busque resgatar a legitimação da disciplina através do diálogo, da firmeza da proposta de trabalho e sobretudo pela conquista dos alunos, que eles se sintam seguros e confiantes que vejam em nós mais um parceiro e amigo que muito tem a contribuir com a melhoria da sua qualidade de vida.
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