Texto Reflexivo
João filho de um rico industrial, criado pelo pai pra levar adiante os negócios da família, aumentando o patrimônio e cultivando ainda mais riquezas, João se percebia como uma pessoa flexível, aberta às mudanças e visionária.
No inicio, obteve muito êxito na administração do seu patrimônio, trazendo tecnologias inovadoras e aumentando a produtividade da indústria que crescia a olhos vistos.
Mas, com o passar dos anos, novas tecnologia foram surgindo e João, com a imagem congelada do sucesso que tivera tempos atrás, não atendia aos apelos dos seus clientes por produtos mais modernos com qualidade que o mercado já dispunha e por peças mais acessíveis.
Alguns, que percebiam o caminho tortuoso por onde João se aventurava, diziam:
- Dr. João, as coisas não são mais como antigamente. Se o senhor não modernizar a sua empresa, melhorar a qualidade dos seus produtos, seus clientes vão embora.
Embora reconhecessem que João tinha liderado grandes mudanças para a empresa, percebiam que, nos últimos anos, eles vinha se mostrando resistente a implantar métodos e tecnologia mais produtivas e inovadoras. Seus gerentes já tinham feito de tudo para alerta-lo, mas ele mantinha-se inabalável nas suas convicções. João pensava: “Tive sucesso até hoje do jeito que sempre fiz. Os meus clientes não vão embora jamais, porque o método que utilizo para mantê-los é muito eficaz. Ofereço algumas pequenas cortesias aos compradores, dou um brinde extra a um ou a outro, mando entregar nas suas casas de surpresa, sem que precisem pagar, um bilhete de viagem, uma nova roupa, um mimo qualquer. Sempre fiz assim e não preciso mudar. Sou um verdadeiro empreendedor. Sei o que faço.”
Passados alguns anos, imune aos apelos do mercado, ignorando as mudanças sutis dos consumidores que agora preferiam a qualidade do produto e não apenas gentilezas que não traziam resultados aos seus clientes. E a cada cliente que mudava de fornecedor, João ignorava os reais motivos. Habituara-se a não dar ouvidos ao que as pessoas diziam: todos lhe abriam os olhos, mas ele não conseguia enxergar.
Assim como João, corremos o risco de congelar a nossa imagem ou, ainda, não percebermos com clareza como agimos, falamos e até mesmo como nos relacionamos com as pessoas. E deixamos muitas vezes de ouvir do outro informações a nosso respeito que poderiam trazer grandes contribuições ao nosso desenvolvimento.
Reflita e anote:
1. Você costuma ouvir o que as pessoas têm a dizer a seu respeito?
2. Tem amigos que lhe dizem a verdade com sinceridade?
3. Que dificuldades você tem para reconhecer características? É resistente ou aberto a refletir sobre o que lhe dizem?
4. Com que freqüência a opinião das pessoas a seu respeito coincide com a sua própria opinião?
5. Existe alguma característica que hoje você reconhece e que até bem pouco tempo lhe era desconhecido? Qual é esta característica? Como tem lidado com ela e qual situação a revelou?
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