terça-feira, 1 de novembro de 2011

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO DE CRIANÇAS

A ALFABETIZAÇÃO E
O LETRAMENTO DE CRIANÇAS

CONTEÚDOS:
=> Nome próprio
=> Alfabeto
Nome Próprio. Por que explorá-lo?
l  É 1º texto que a criança quer ler, reconhecer ou escrever;
l  É autêntico e significante (motivador);
l  É um modelo de escrita estável;
l  A função de marcar, identificar objetos ou indivíduos faz parte de intercâmbios sociais de nossa cultura.
Duas informações importantes para a apropriação do próprio nome pela criança
A expressão verbal do nome da criança  deverá acompanhar as marcas gráficas;
A oportunidade do contato com o nome escrito convencionalmente, com uma forma de escrita estável. 
Tanto do ponto de vista lingüístico como gráfico, o nome próprio de cada criança é um modelo de escrita estável:
Dá informação à criança sobre as letras, tanto de sua forma convencional como do valor qualitativo, diferenciador e indicador da presença de uma palavra.
Dá informação sobre a quantidade de letras necessárias para escrever o nome.
Tanto do ponto de vista lingüístico como gráfico, o nome próprio de cada criança é um modelo de escrita estável:
Dá informação sobre a variedade, posição e ordem das letras em uma escrita convencional.
Finalmente, o modelo serve de ponto de referência pra confrontar as idéias das crianças com a realidade convencional da escrita.

QUAIS SÃO OS CONTEÚDOS A SEREM EXPLORADOS?
Diferença entre letras e desenhos;
Diferença entre letras e números;
l  Distinções entre as letras (posições);
l  Orientação esquerda-direita;
l  Quantidade, variedade e ordem das letras;
l  Que o que se escreve serve para algo concreto;

QUAIS SÃO OS CONTEÚDOS A SEREM EXPLORADOS?
l  O nome das letras;
l  Amplo repertório de letras;
l  Exercício grafomotor ao escrever e de memorização ao ler;
l  Fonte de consulta para próximas escritas.

Música
l  Função: entretenimento e diversão
l  Estrutura: organizada em estrofes
l  Presença de rimas
l  Cantar diversas vezes buscando a memorização;
l  Leitura em voz alta pela professora;
l  Compreensão do texto;
l  Trabalhar com toda a música (leitura e compreensão), por estrofes, versos (leitura e escrita), palavras significativas etc.
l  Fazer a relação da música com os conteúdos trabalhados (nome próprio e alfabeto)
l  Cantar diversas vezes buscando a memorização;
l  Leitura em voz alta pela professora;
l  Compreensão do texto;
l  Trabalhar com toda a música (leitura e compreensão), por estrofes, versos ,(leitura e escrita), palavras significativas etc.
l  Fazer a relação da música com os conteúdos trabalhados (nome próprio e alfabeto)
Atividades
l  Escrita de títulos, de palavras significativas, de versos e/ou estrofes;
l  Análise estrutural das palavras (letra inicial, final, quantidade de letras...)
l  Consciência fonológica: outras palavras que iniciem com o mesmo som de determinados nomes e palavras.
l  Localização de palavras no texto;

ALFABETO
POR QUÊ EXPLORÁ-LO?
É o conjunto de símbolos próprios da escrita. Com apenas 23 letras - além do K,Y e W – combinadas apropriadamente é possível escrever qualquer palavra ou idéia. Do mesmo modo, é possível depreender sentido quando essas letras são combinadas conforme determinada convenção social.
PARA QUÊ EXPLORÁ-LO?
l  Conhecer as letras;
l  Analisar os aspectos gráficos das letras;
l  Conhecer diferentes formas de escrever uma mesma letra;
l   Utilizar a ordem alfabética para variados fins;

PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA

NÍVEL PRÉ-SILÁBICO - CARACTERÍSTICAS GERAIS:
-          Grafismo primitivo (predomínio de grafismos ou pseudo-letras);
-          Escritas unigráficas (utilização de uma só grafia para cada nome – quantidade constante);
-          Escrita sem controle de quantidade
            (chega ao limite da folha do papel)
- Escritas fixas ( a mesma série de letras numa mesma ordem serve para diferentes nomes);
- Repertório fixo com quantidade variável (as grafias utilizadas aparecem na mesma ordem, mas com quantidades diferentes) quantidade constante com repertório fixo parcial (ex: adoi – gato, adoe - cavalo, aoib – rã);
- Quantidade variável com repertório fixo parcial;
- Quantidade constante com repertório variável
- Quantidade variável com repertório variável;
- Escritas diferenciadas com valor sonoro inicial (a letra que inicia a palavra tem a ver com o valor sonoro da sílaba inicial).
*      Realismo nominal:  a escrita representaria as características do objeto (ex. a palavra boi seria escrita com muitas letras, porque o boi é grande)
*      Confunde ou não diferencia desenho e escrita
*      Em uma fase mais avançada, a criança passa a diferenciar a escrita pela quantidade de letras ( três, no mínimo).

Trabalhar com:
-          Palavras estáveis: nome dos alunos (letra inicial, final, quantidade de letras);
-          Leitura feita pela professora de diferentes textos (história, poesia, parlendas, músicas etc);
-          Exploração de textos conhecidos de memória, auxiliar os alunos a perceber que a escrita representa os sons da fala, e não os objetos em si com suas características: análise fonológica – atividades com palavras que tem aliteração (mesmo som inicial) e/ou rimas (final);
-          Exploração oral relacionada com a escrita de poemas, trava-língua, parlenda. este textos possibilitam a exploração de sons iniciais e finais;
-          Nomes em ordem alfabética ilustrada com desenhos ou retratos;
-    Jogos com nomes;
-    Classificar os nomes pelo som inicial, pela letra inicial e pelo número de letras

NÍVEL SILÁBICO: características gerais
*      A criança começa a fazer relação entre a escrita e a pauta sonora;
*      Escreve, no geral, utilizando uma letra para cada sílaba presente na palavra;
- Estágio silábico de quantidade: a preocupação é exclusivamente quantitativa, então coloca qualquer letra para representar as sílabas (Ex. OVB – laranja)
- Estágio silábico de qualidade: demonstra preocupação com as correspondências entre escrita e pauta sonora, colocando letras que tenham relação com os sons representados (Ex. AO – bola, AEO – caderno)
O QUE FAZER
l  As atividades devem ajudar os alunos a refletir que a sílaba não é a menor unidade de uma palavra e que ela é constituída de partes menores (fonemas).
l  Escrita espontânea
l  Trabalhar com textos de memória, para ajudar na conservação da escrita;
l  Ditado de palavras do texto; (problematizar as respostas dos alunos, comparar as escritas, refletir sobre o que falta)
l  Lista de palavras com a mesma sílaba final ou inicial;
l  Usar jogos e brincadeiras (forca – com nomes conhecidos, cruzadinha e caça-palavras)
l  Produção de textos, ditados e listas.

NÍVEL SILÁBICO-ALFABÉTICO : Características gerais
- A criança entra em conflito com a hipótese silábica;
l  Os aprendizes começam a perceber que “as sílabas podem ser compostas de unidades menores (fonemas)” e começam  a colocar mais letras em cada sílaba;
l  Não há consistência quanto a tais relações: algumas sílabas são representadas por uma letra e outras por mais de uma letra;
O QUE FAZER
l  Cruzadinha, caça palavras;
l  Dividir palavras em sílabas;
l  Produção de textos, ditados e listas.

NÍVEL ALFABÉTICO - CARACTERÍSTICAS GERAIS:
     Inicialmente os alunos tendem a representar as sílabas com uma estrutura consoante – vogal. Gradativamente, começam a incorporar os conhecimentos de que as sílabas podem variar quanto às combinações.
ü  Os alunos começam a perceber que “as regras de correspondência grafofônica são ortográficas e não fonéticas”.
ü  Escreve alfabeticamente com trocas, omissões e inversões de letras nas sílabas;
ü  Escrita sem segmentação entre as palavras;
passa a escrever atentando para a segmentação e a algumas regras ortográficas;
O QUE FAZER
l  Investir em conversas e debates diários;
l  Produção coletiva de diversos gêneros textuais (em todos os níveis psicogenéticos)
l  Reescrita de texto ( individual / dupla/ coletiva);
l  Atividades de escrita: cruzadinhas, caça-palavras, enigmas...
l  Pintar intervalos entre as palavras;
l  Completar letras que faltam entre as palavras;
l  Refletir sobre letras que assumem sons diferentes em função da disposição que ocupam na palavra;
l  Refletir sobre a existência de sons que necessitarão, em algumas situações, de um grupo de letras para representá-lo (som do x na palavra CHUVA).

AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA
Para refletir
"A avaliação, muito mais do que o conhecimento de um aluno é o reconhecimento desse aluno. As estatísticas são cruéis: não basta um professor obter uma aprendizagem satisfatória com 70% dos seus alunos, por que, 30% de uma turma de 30 alunos, representa nove alunos que deixam de ser atendidos. Portanto, cada aluno é importante em suas necessidades, em sua vivência, em seu  conhecimento.“
O ser humano é uma totalidade afetiva, social, motora-corporal e cognitiva. Todas essas dimensões devem ter igual importância na sua formação e em sua avaliação

O QUE É AVALIAÇÃO?
Processo intencional, contínuo e sistemático de obtenção e análise de informações sobre a aprendizagem (no nosso caso da leitura e da escrita) dos alunos, buscando na compreensão dessa realidade elementos que possibilitem uma intervenção consciente e adequada.
A avaliação é inerente e imprescindível, durante todo o processo educativo que se realize em um constante trabalho de ação-reflexão-ação.

PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA AVALIAÇÃO
*      A avaliação é investigativa e não sentenciativa, mediadora e não constatativa, porque é na dimensão da interação adulto/criança que justifica a avaliação e não a certeza, os julgamentos, as afirmações inquestionáveis sobre o que ela é ou não capaz de fazer.
Sintonia entre o trabalho pedagógico e a avaliação;
Ao professor é imprescindível observar verdadeiramente cada criança, suas ações e pensamentos para a partir disso, direcionar os rumos do trabalho pedagógico e as intervenções necessárias.

PARA QUE SE AVALIA A LINGUAGEM?
*      Diagnóstico da turma: para conhecer as hipóteses dos   alunos sobre os conhecimentos construídos a respeito da leitura e da escrita;
*      Para planejar situações didáticas que atendam às necessidades dos alunos;
*       Para fazer intervenções pertinentes a cada aluno;
*       Para realimentar o planejamento.

QUEM AVALIA?  O professor (a)
A QUEM E PARA QUE COMUNICAR OS RESULTADOS?
ESCOLA, CREDE, SEDUC
*      Diagnosticar a aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos do 1º ano;
*      Conhecer as hipóteses dos alunos sobre os conhecimentos construídos a respeito da leitura e da escrita;
*      Fazer intervenções pertinentes;
*      Realimentar o planejamento;
*      Diagnosticar a turma;
*      Fazer os agrupamentos para as intervenções;
*      Fazer atendimento individualizado.

A QUEM E PARA QUE COMUNICAR OS RESULTADOS?
 AO ALUNO:
*      Reconhecer os seus avanços e suas possibilidades;
*       Saber o que já conquistou e o que ainda tem que conquistar;
*       Reconhecer suas potencialidades.

A QUEM E PARA QUE COMUNICAR OS RESULTADOS?
A FAMÍLIA
Saber sobre os conhecimentos construídos pelo filho(a)

AVALIAÇÃO
Como avaliar os alunos em  processo de alfabetização?
l  Avaliação contínua e processual
l  Avaliação através de relatórios
l  Avaliação diagnóstica: nível de desenvolvimento real
l  Avaliação com intervenção: nível de desenvolvimento proximal
Qual a finalidade da avaliação diagnóstica e da avaliação com intervenção?
Como avaliar os alunos do primeiro ano? O que o PAIC orienta?

Para finalizar....
A difusão da teoria da psicogênese da escrita permitiu os professores conhecerem os níveis de aquisição da escrita e como avaliar os alunos. Isso é fundamental, mas não é suficiente para o desenvolvimento de um trabalho pedagógico de alfabetização.
         O contato com textos, valendo-se de atividades de leitura e produção não é suficiente para que as crianças atinjam a hipótese alfabética;
         É necessário o desenvolvimento de um trabalho sistemático e diário que leve os alunos a refletirem sobre os princípios desse sistema
         São fundamentais as atividades realizadas no nível da palavra (composição e decomposição de palavras quanto à presença de sílabas e letras iguais etc) e as de análise fonológica;
         As palavras podem ser extraídas de textos lidos, para um trabalho com base nas características lingüísticas de alguns gêneros.
“A minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa" (Emília Ferreiro)

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